Ser felizEle não sentia, sabia que deveria sentir, mas era como se a dança das suaves brisas não o tocasse,como se, de alguma forma, sua pele, sua pele de cor defeituosa o privasse de mais aquela alegria, que as outras de pele tão reluzente pareciam sentir naquele. Seus cabelos dourados se agitavam à medida que os dele, tão grossos, permaneciam imóveis.
Absorto, ele punha-se a imaginar como era fazer parte dessas brincadeiras. Este era como aqueles raros momentos em que ele se sentia contagiar pela alegria e pela emoção das crianças puras de pele, e assim como todas às vezes, a realidade caía arrasadoramente sobre suas pequeninas costas, ao perceber os olhares que o rodearam e que vinham dos adultos.
Seu único e verdadeiro sonho, que sua idade inocente era capaz de conceber, era se juntar às outras crianças for feliz a ponto de ouvir os pássaros e suas melodiosas canções, de bailar com a brisa e de finalmente fazer parte daquele mundo que parecia não lhe aceitar.
Que culpa tinha a pobre criança, se aquela sociedade ignorante não percebeu que ele não era inferior, que ele era como uma pessoa normal?Nada o impediu de odiar sua linda pele escura, de ter vergonha daquela raça que o tanto fazia sofrer, que o impedia de ser feliz.
Olhando sem realmente ver, aquele pequeno garotinho especial, que nunca pôde aproveitar seus sonhos, que não entrou na roda e que não vai poder bailar e cantar com as outras crianças, silenciosamente, derramou suas desconsideradas lágrimas por aqueles tristonhos e penetrantes olhos negros.
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